15 de julho de 2014

Comentário de Mateus 9

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.

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1. E entrando no barco, passou para a outra margem, e veio a sua própria cidade. E eis que lhe trouxeram um paralítico, deitado em uma cama.
2. E Jesus, tendo visto a fé deles, disse ao paralítico: 
 Tem bom ânimo, filho, teus pecados te são perdoados.
3. E eis que alguns dos escribas diziam entre si: 
 Este blasfema.
4. E vendo Jesus seus pensamentos, disse: 
 Por que pensais mal em vossos corações?
5. Porque o que é mais fácil dizer: 
 [Teus] pecados te são perdoados? 
 Ou dizer: 
 Levanta-te, e anda?
6. E para que saibais que o Filho do homem tem autoridade na terra para perdoar os pecados, (Ele então disse ao paralítico): 
 Levanta-te, toma tua leito, e vai para tua casa.
7. E tendo se levantando, foi para sua casa.
8. E as multidões, tendo visto [isto], maravilharam-se, e glorificaram a Deus, que tinha dado tal autoridade aos homens.
9. E Jesus, passando dali, viu um homem sentado na coletoria de impostos, chamado Mateus; e disse-lhe: 
 Segue-me. 
E ele, levantando-se, o seguiu.
10. E aconteceu que, estando ele sentado [à mesa] na casa, eis que vieram muitos cobradores de impostos e pecadores, e se sentaram juntamente [à mesa] com Jesus e seus discípulos.
11. E os fariseus, tendo visto [isto], disseram a seus discípulos: 
 Por que vosso Mestre come com cobradores de impostos e pecadores?
12. Porém Jesus, ao ouvir [a pergunta], disse-lhes: 
 Os que estão sãos não necessitam de médico, mas sim os que estão doentes.
13. Mas ide, e aprendei que coisa é: 
 Quero misericórdia, e não sacrifício. 
 Porque eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores ao arrependimento.
14. Então vieram a ele os discípulos de João, dizendo: 
 Por que nós e os fariseus jejuamos muitas vezes, mas teus discípulos não jejuam?
15. E Jesus lhes disse: 
 Por acaso podem os convidados do casamento andar tristes enquanto o noivo está com eles? Mas dias virão, quando o noivo lhes for tirado, e então jejuarão.
16. E ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha; porque tal remendo rasga a roupa, e o rasgo se torna pior.
17. Nem põem vinho novo em odres velhos; pois senão os odres se rompem, o vinho se derrama, e os odres se perdem; mas põem o vinho novo em odres novos, e ambos juntamente se conservam.
18. Enquanto ele lhes dizia estas coisas, eis que veio um chefe [de sinagoga] e o adorou, dizendo: 
 Minha filha faleceu ainda agora; mas vem, e põe tua mão sobre ela, e ela viverá.
19. E Jesus, tendo se levantado, seguiu-o com seus discípulos.
20. (E eis que uma mulher enferma de um fluxo de sangue havia doze anos, vindo por detrás [dele], tocou a borda de sua roupa.
21. Porque dizia consigo mesma: 
 Se eu tão somente tocar a roupa dele, ficarei saudável.
22. E Jesus, virando-se e a vendo, disse: 
 Tem bom ânimo, filha, tua fé te curou. 
E desde aquela mesma hora a mulher ficou com saúde.)
23. E Jesus, tendo vindo à casa daquele chefe, e vendo os tocadores de flauta e a multidão que fazia tumulto,
24. Disse-lhes: 
 Retirai-vos, porque a menina não morreu; mas está dormindo. 
E riram dele.
25. E quando a multidão foi tirada daquele lugar, ele entrou, pegou a mão dela, e a menina se levantou.
26. E esta notícia se espalhou por toda aquela terra.
27. E Jesus, ao sair dali, dois cegos o seguiram, clamando e dizendo: 
 Tem compaixão de nós, Filho de Davi!
28. E ele, vindo para casa, os cegos vieram até ele. E Jesus lhes disse: 
 Credes vós que posso fazer isto? 
Eles lhe disseram: 
 Sim, Senhor.
29. Então lhes tocou os olhos, dizendo: 
 Conforme a vossa fé seja vos feito.
30. E os olhos deles se abriram. E Jesus os advertiu severamente, dizendo: 
 Observai para que ninguém saiba [disso].
31. Porém eles, tendo saído, divulgaram [esta] notícia sobre ele por toda aquela terra.
32. E tendo eles saído, eis que lhe trouxeram um homem mudo e endemoninhado.
33. E quando o demônio foi lançado fora, o mudo passou a falar; e as multidões se maravilharam, dizendo: 
 Nunca se viu algo assim em Israel!
34. Mas os fariseus diziam: 
 Ele expulsa os demônios pelo chefe dos demônios.
35. E Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando em suas sinagogas, e pregando o Evangelho do Reino, e curando toda enfermidade e toda doença entre o povo.
36. E ele, ao ver as multidões, comoveu-se com delas, porque andavam fracas e dispersas, como ovelhas que não têm pastor.
37. Então Jesus disse a seus discípulos: 
 Verdadeiramente a ceifa é grande, porém os trabalhadores são poucos.
38. Portanto orai ao Senhor da ceifa, para que envie trabalhadores à sua ceifa.


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9.1 sua própria cidade. Cafarnaum.

9.3 este blasfema. A “blasfêmia” consistia no fato de que só Deus pode perdoar pecados, e Jesus era um ser humano. Eles não sabiam que Cristo havia recebido a autoridade de perdoar pecados diretamente do Pai (v.8).

9.12 os sãos não necessitam de médico. Ele não estava dizendo que os fariseus eram “sãos”, pois os chamou de “raça de víboras” (Mt.23:33), “serpentes” (Mt.23:33) e “sepulcros caiados” (Mt.23:27). Eram os fariseus que não se reconheciam como pecadores que necessitavam da graça de Deus e de arrependimento – como os publicanos reconheciam. Todos precisam reconhecer seus próprios pecados para se arrepender deles e ser curado.

9.15 Jesus não estava sendo contra o jejum, mas disse que seus discípulos jejuariam depois que ele fosse “tirado” (morto). Antes de designarem os presbíteros em cada igreja, Paulo e Barnabé jejuaram (At.14:23). Paulo também testemunha que ficou “muitas vezes em jejum” (2Co.11:27). O próprio Senhor Jesus disse que para expulsar certas espécies de demônio é necessário, além da oração, o jejum (Mc.9:29). O jejum é um elemento importante para a mortificação da carne, como Jesus fez no deserto, antes de ser tentado (Mt.4:2).

9.17 vinho novo em odres novos. V. nota em Mc.2:22.

9.18 e o adorou. V. nota em Mt.2:11.

9.22 tua fé te curou. Não foi o toque em si que curou a mulher, mas a fé que ela teve ao tocar em Jesus.

9.24 está dormindo. V. nota em Jo.11:11.

9.36 ovelhas que não têm pastor. Embora a multidão seguisse Jesus, ele não se considerava o pastor delas. Elas não tinham pastor. Jesus era pastor dos doze, e não de toda a multidão. Pastorear implica em comunhão e proximidade com cada pessoa, coisa que ele não podia fazer com todos, mas apenas com um grupo limitado escolhido por ele, os doze. Pastorear não é apenas ensinar e curar – coisas que Jesus fazia –, mas é acompanhar de perto cada pessoa, suas preocupações, sua vida espiritual, seus problemas, seus inquietações, pastoreando e cuidando de cada pessoa em especial. Como Jesus era um só, era necessário que mais trabalhadores (pastores) fizessem parte da ceifa (Igreja), para que cada pessoa daquela multidão tivesse um pastor cuidando dela (vs.37-38).

Este cenário se repete em muitas igrejas, onde o pastor é praticamente uma autoridade única ali dentro, mas pela grande quantidade de membros torna-se impossível conseguir pastorear cada uma delas. Por isso, muitos convertidos se sentem sozinhos, mesmo em meio à multidão, sentindo a falta de alguém mais próximo, que sirva de “tutor na fé” (1Co.4:15). Algumas denominações resolveram este problema com o sistema de células, onde pequenos grupos dentro de uma comunidade maior se reúnem sob o pastoreio de alguém da confiança do pastor da igreja, e estes líderes de célula podem trabalhar mais de perto com os problemas de cada pessoa, acompanhando o desenvolvimento espiritual de cada uma delas. Mesmo para aqueles que não trabalham com células, é importante que cada recém-convertido seja pastoreado por alguém mais experiente, como ocorria na igreja primitiva (Gl.6:6). É a falta de atenção de nossa parte que afasta muitos dos recém-convertidos. De nada adianta levantar a mão para aceitar Jesus em um momento, se não há um pastoreio que dê continuidade a esta conversão, deixando a pessoa desnorteada, cheia de dúvidas e sem ninguém para ajudá-la a crescer.

9.38 orai ao Senhor da ceifa. É interessante notar que, embora teoricamente o senhor da ceifa seja o primeiro interessado a obter trabalhadores para a sua própria ceifa, somos nós que temos que pedir a ele para que ele envie trabalhadores para a sua ceifa dele mesmo. Isso nos mostra claramente a importância fundamental da oração intercessória. Deus poderia fazer tudo sozinho e por conta própria – incluindo enviar evangelistas por todas as partes do mundo –, mas ele decidiu condicionar tudo às orações dos crentes. É a nossa oração que liga e desliga no mundo espiritual (Mt.18:19-20; Jo.14:13), e é através dela que o Reino de Deus cresce sobre a terra. Nós não temos que esperar que Deus levante evangelistas, missionários ou pastores; nós temos que orar para que Deus levante evangelistas, missionários e pastores.

Comentário de Mateus 8

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. E ele, tendo descido do monte, muitas multidões o seguiram.
2. E eis que veio um leproso, e o adorou, dizendo: 
Senhor, se quiseres, bem tu podes me limpar.
3. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: 
Eu quero, sê limpo; 
e logo ele ficou limpo de sua lepra.
4. Então Jesus lhe disse: 
Olha para que digas a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece a oferta que Moisés ordenou, para que lhes [haja] testemunho.
5. E Jesus, tendo entrado em Cafarnaum, veio [a ele] um centurião, rogando-lhe,
6. E dizendo: 
Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico, gravemente atormentado.
7. E Jesus lhe disse: 
Eu virei, e o curarei.
8. E respondendo o Centurião, disse: 
Senhor, não sou digno de que entres abaixo do meu telhado; mas dize somente uma palavra, e o meu servo sarará.
9. Porque eu também sou homem debaixo de autoridade, e tenho debaixo de mim soldados; e digo a este: 
Vai,
e ele vai; e ao outro: 
Vem, 
e vem; e a meu escravo: 
Faze isto, 
e ele o faz.
10. E Jesus, ouvindo [isto], maravilhou-se, e disse aos que o seguiam: 
Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel achei tanta fé.
11. Mas eu vos digo, que muitos virão do oriente, e do ocidente, e se sentarão [à mesa] com Abraão, Isaque, e Jacó, no Reino dos céus.
12. E os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá o pranto e o ranger de dentes.
13. Então Jesus disse ao Centurião: 
Vai, e assim como creste, te seja feito.
E naquela mesma hora o seu servo sarou.
14. E Jesus, tendo vindo à casa de Pedro, viu sua sogra deitada e com febre.
15. E ele tocou a mão dela, e a febre a deixou; e ela se levantou, e os servia.
16. E quando chegava o anoitecer, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e expulsou-lhes os espíritos [malignos] com [sua] palavra, e curou a todos os que estavam [passando] mal;
17. Para que se cumprisse o que foi dito pelo Profeta Isaías, que disse: 
Ele tomou [sobre] si nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.
18. E Jesus, ao ver muitas multidões ao redor de si, mandou que passassem para a outra margem.
19. E um escriba, tendo se aproximado, disse-lhe: 
Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu fores.
20. E Jesus lhe disse: 
As raposas tem covis, e as aves do céu ninhos; mas o Filho do homem não tem onde encoste a cabeça.
21. E outro de seus discípulos lhe disse: 
Senhor, permite-me que vá primeiro e enterre a meu pai.
22. Porém Jesus lhe disse: 
Segue-me tu, e deixa aos mortos enterrar seus mortos.
23. E ele, tendo entrado no barco, seus discípulos o seguiram.
24. E eis que se levantou uma tormenta no mar tão grande que o barco era coberto pelas ondas; mas ele dormia.
25. E seus discípulos, aproximando-se, o acordaram, dizendo: 
Senhor, salva-nos! Estamos sendo destruídos!
26. E ele lhes disse: 
Por que sois medrosos, [homens] de pouca fé? 
Então, levantando-se, repreendeu aos ventos e ao mar, e houve grande bonança.
27. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: 
Quem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?
28. E quando passou para a outra margem, para a terra dos gergesenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados que tinham saído dos sepulcros, tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho.
29. E eis que clamaram, dizendo: 
Que temos contigo, Jesus Filho de Deus? Vieste aqui para nos atormentar antes de tempo?
30. E havia uma manada de muitos porcos longe deles se alimentando.
31. E os demônios lhe suplicaram, dizendo: 
Se nos expulsares, permite-nos que entremos naquela manada de porcos.
32. E ele lhes disse: 
Ide. 
E eles, ao saírem, entraram na manada dos porcos; e eis que toda aquela manada de porcos se jogou ao mar, e morreram nas águas.
33. E os porqueiros fugiram, e ao chegarem à cidade, falaram sobre todas [estas] coisas, e sobre os [que estavam] endemoninhados.
34. E eis que toda aquela cidade saiu ao encontro de Jesus, e quando o viram, rogaram-lhe que se retirasse dos limites [do território] deles.





8.2 e o adorou. V. nota em Mt.2:11.

8.12
 
trevas exteriores. Referência ao geena. V. nota em Mt.5:26.

8.14 viu sua sogra. O texto implica que Pedro, um dos principais apóstolos, era casado. Sua esposa não se encontrava em casa naquele momento, mas isso não significa que ela já tivesse morrido. Paulo disse que Pedro, assim como os demais apóstolos e os irmãos de Jesus, costumava levar sua esposa consigo em suas viagens missionárias (1Co.9:5). Clemente de Alexandria (150-215) citou uma tradição da época que falava dos últimos dias da esposa de Pedro, dizendo: “Ou também vão desaprovar os apóstolos? Porque Pedro e Felipe criaram filhos (...) Conta-se, pois, que o bem-aventurado Pedro, quando viu que sua própria mulher era conduzida ao suplício, alegrou-se por seu chamamento e seu retorno para casa, e gritou forte para animá-la e consolá-la, chamando-a por seu nome e dizendo: ‘Oh, tu, lembra-te do Senhor!’” (HE, Livro III, 30:1-2). O celibato obrigatório do clero foi estabelecido séculos depois de Cristo, no Concílio de Niceia (Cânon III), em 325 d.C, contrariando o ensinamento do celibato opcional, que perdurou por séculos antes disso (v. nota em 1Tm.3:2).

8.17 ele tomou sobre si nossas enfermidades. V. nota em 1Pe.2:24.

8.20 Jesus não disse “não” à pessoa que queria segui-lo, apenas a avisou das consequencias disso, que incluiria, inclusive, não ter casa para reclinar a cabeça, em uma vida de abnegação. Assim como aquele homem, muitos se interessam em servir a Cristo por interesse próprio, pensando com isso obter algo material para si mesmo, e se afastam tristes quando percebem que o verdadeiro evangelho não é o da prosperidade, mas o da cruz. Quando se deparam com o verdadeiro evangelho e suas consequencias morais, repensam a ideia e preferem voltar ao mundo.

8.21 enterre a meu pai. Não significa que o pai já tinha morrido. Era costume da tradição judaica cuidar do pai até ele morrer (até ser enterrado). O que ele estava dizendo é que estava disposto a seguir Jesus, mas só depois de cuidar de suas próprias prioridades, o que, naquele caso, significava esperar até a morte do pai, para somente depois tomar uma decisão por Cristo. Isso também serve de ilustração para os dias de hoje, pois muitos preferem adiar a conversão e postergar o dia em que deixarão de viver no pecado, colocando outras prioridades pessoais como o centro de suas vidas, perdendo com isso a grande oportunidade da salvação, como aquele homem perdeu.

8.22 mortos enterrar seus mortos. Mortos espirituais enterrando pessoas fisicamente mortas. A mensagem aqui transmitida é que aqueles que colocam outras prioridades acima de seguir a Cristo estão morrendo espiritualmente.

8.29 antes do devido tempo. O diabo sabe que será atormentado futuramente, da mesma forma que sabe que será destruído (v. nota em Mc.1:24).

Comentário de Mateus 7

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. Não julgueis, para que não sejais julgados.
2. Porque com o juízo que julgardes, sereis julgados; e com a medida que medirdes, vos medirão de volta.
3. E porque tu observas o cisco que [está] no olho de teu irmão, e não enxergas a trave que [está] em teu olho?
4. Ou como tu dirás a teu irmão: 
Deixa-me tirar de teu olho o cisco; e eis que [há] uma trave em teu [próprio] olho?
5. Hipócrita, tira primeiro a trave de teu olho, e então verás claramente para tirar o cisco do olho de teu irmão.
6. Não deis as coisas santas aos cães, nem lanceis vossas pérolas diante dos porcos, para que eles não venham a pisá-las com seus pés, e virando-se, vos despedacem.
7. Pedi, e será vos dado; buscai, e achareis; batei, e será aberto a vós.
8. Porque qualquer que pede, recebe; e o que busca, acha; e ao que bate, lhe é aberto.
9. E quem dentre vós que, se seu filho pedir pão, lhe dará uma pedra?
10. E pedindo peixe, lhe dará uma serpente?
11. Pois se vós, sendo maus, sabeis dar bons presentes a vossos filhos, quanto mais dará vosso Pai, que [está] nos céus, bens aos que lhe pedirem!
12. Portanto tudo o que vós quiserdes que as pessoas vos façam, fazei-lhes vós também assim; porque esta é a Lei e os Profetas.
13. Entrai pela porta estreita; porque larga [é] a porta, e espaçoso o caminho, que leva à perdição; e muitos são os que por ele entram.
14. Porque estreita [é] a porta, e apertado o caminho, que leva à vida; e são poucos os que o acham.
15. Mas tomai cuidado com os falsos profetas, que vêm a vós com roupas de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes.
16. Pelos seus frutos vós os reconhecereis. Por acaso se colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?
17. Assim toda boa árvore dá bons frutos; mas a má arvore dá maus frutos.
18. A boa árvore não pode dar maus frutos; nem a má árvore dar bons frutos.
19. Toda árvore não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
20. Portanto pelos frutos deles vós os conhecereis.
21. Nem todo aquele que me diz: 
Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus; mas [somente] aquele que faz a vontade do meu Pai que [está] nos céus.
22. Muitos me dirão naquele dia: 
Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? E em teu nome expulsamos os demônios? E em teu nome fizemos muitas maravilhas?
23. E então claramente lhes direi: 
Nunca vos conheci; saí para longe de mim, praticantes de injustiça!
24. Portanto qualquer um que me ouve estas palavras, e as faz, eu o compararei ao homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha.
25. E desceu a chuva, e vieram rios, e sopraram ventos, e atingiram aquela casa, e não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.
26. Mas qualquer um que me ouve estas palavras, e não as faz, eu o compararei ao homem tolo, que edificou sua casa sobre a areia.
27. E desceu a chuva, e vieram rios, e sopraram ventos, e atingiram aquela casa, e caiu, e foi grande sua queda.
28. E aconteceu que, acabando Jesus estas palavras, as multidões se admiraram de sua doutrina,
29. Porque ele os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.





7.1 não julgueis. Jesus não está dizendo que o ato de julgar é errado em si mesmo, mas sim que é errado julgar hipocritamente, como mostra o contexto imediato, que fala sobre apontar o cisco no olho do próximo quando há uma trave no nosso (vs.3-5). Este tipo de julgamento parcial e hipócrita é repudiado biblicamente, mas o julgamento honesto é incentivado em toda parte. Paulo diz que nós devemos julgar as causas desta vida (1Co.6:2), para julgarmos as causas entre irmãos (1Co.6:5), para julgarmos todas as coisas e ficar com o que é bom (1Ts.5:21), e que é para nós mesmos julgarmos (1Co.11:13), inclusive para julgarmos o que ele mesmo diz (1Co.10:15). O próprio Jesus disse para julgarmos por nós mesmos o que é justo (Lc;12:57). Se o ato de julgar fosse em si mesmo errado, então nem sequer poderia existir juízes ou julgamento criminal. Ninguém poderia ser preso, pois toda condenação envolve algum tipo de juízo.

7.6 O sentido do texto é de não desperdiçar tempo e energia com quem já demonstra não dar o mínimo valor à Palavra de Deus. Paulo diz para repreender o herege uma ou duas vezes, e depois disso rejeitá-lo, porque aquela pessoa já está pervertida e por si mesmo condenada (Tt.3:10-11).

7.14 são poucos os que o acham. Embora o ecumenismo popular tenha a tendência de colocar todo mundo no Céu por meio do slogan de que “todos os caminhos levam a Deus” (geralmente excetuando apenas os mais criminosos), biblicamente são poucos os que serão salvos, e uma multidão que se perderá. Isso mostra a dificuldade de se alcançar a salvação e a total necessidade de um comprometimento sério e profundo com a Palavra de Deus e, principalmente, com o Deus da Palavra.

7.22 e em teu nome fizemos muitas maravilhas. Embora determinadas igrejas neopentecostais usem os milagres ali ocorridos como uma “prova” de que Deus aprova tudo o que acontece ali, Jesus é claro ao afirmar que os milagres, as profecias e os exorcismos não são uma evidência de que Deus esteja necessariamente aprovando aquilo que está sendo feito ou ensinado nessas igrejas. Serão muitos os que argumentarão no dia do juízo que operaram coisas grandiosas por meio da fé, mas serão condenados por viverem uma vida de pecado e enganação. Estes muitos que pensam que os milagres são uma prova de que Deus está aprovando determinado ministério ou que não está se importando com os pecados existentes em sua vida serão surpreendidos no dia em que tudo o que está oculto vier à luz.

Comentário de Mateus 6

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. Ficai atentos para que não façais vossa esmola diante das pessoas a fim de que sejais vistos por elas; de outra maneira não tereis recompensa de vosso Pai que está nos céus.
2. Portanto, quando fizeres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem honrados pelas pessoas; em verdade vos digo que já receberam sua recompensa.
3. Mas quando tu fizeres esmola, não saiba tua mão esquerda o que faz a tua direita;
4. Para que a tua esmola seja em segredo, e teu Pai que vê em segredo, ele te recompensará em público.
5. E quando orares, não sejas como os hipócritas; porque eles amam orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para serem vistos pelas pessoas. Em verdade vos digo que já receberam sua recompensa.
6. Mas tu, quando orares, entra em teu quarto, e fechando tua porta, ora a teu Pai, que [está] em segredo, e teu Pai que vê em segredo, ele te recompensará em público.
7. E orando, não façais repetições inúteis como os gentios, que acham que por muito falar serão ouvidos.
8. Não vos façais pois semelhantes a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós peçais a ele.
9. Vós, portanto, orareis assim: 
 Pai nosso, que [estás] nos céus, santificado seja o teu nome.
10. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade também na terra, assim como no céu.
11. O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
12. E perdoa-nos nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores.
13. E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, o poder, e a glória, para sempre, Amém.
14. Porque se perdoardes às pessoas suas ofensas, vosso Pai celestial também vos perdoará.
15. Mas se não perdoardes às pessoas suas ofensas, também vosso Pai não vos perdoará vossas ofensas.
16. E quando jejuardes, não vos mostreis tristonhos, como os hipócritas; porque eles desfiguram seus rostos, para parecerem aos outros que jejuam. Em verdade vos digo que eles já têm sua recompensa.
17. Porém tu, quando jejuardes, unge tua cabeça, e lava teu rosto,
18. Para que não pareçais aos outros que jejuas, a não ser [somente] a teu Pai, que [está] em segredo; e teu Pai que vê em segredo, ele te recompensará em público.
19. Não junteis para vós tesouros na terra, onde e a traça e a ferrugem [tudo] gastam, e onde os ladrões invadem e roubam.
20. Mas juntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem gastam, e onde os ladrões não invadem nem roubam.
21. Porque onde estiver vosso tesouro, ali estará também vosso coração.
22. A lâmpada do corpo é o olho; portanto, se teu olho for puro, todo teu corpo será luminoso.
23. Porém se teu olho for maligno, todo teu corpo estará em trevas. Então, se a luz que há em ti são trevas, como são grandes [essas] trevas!
24. Ninguém pode servir a dois senhores; pois ou odiará a um, e amará ao outro; ou se chegará a um, e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e à ganância por riquezas. 
25. Portanto eu vos digo: não andeis ansiosos por vossa vida, que haveis de comer, ou que haveis de beber; nem por vosso corpo, com que vós haveis de vestir. Não é a vida mais que o alimento, e o corpo [mais] que a roupa?
26. Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem juntam em celeiros; e [contudo] vosso Pai celestial as alimenta. Não sois vós muito melhores que elas?
27. Mas qual de vós poderá com [toda] sua ansiedade acrescentar um côvado à sua altura?
28. E pela roupa, porque andais ansiosos? Prestai atenção aos lírios do campo, como crescem; nem trabalham, nem fiam.
29. E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda sua glória, se vestiu como um deles.
30. Pois se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos [vestirá] muito mais a vós, [homens] de pouca fé?
31. Não andeis pois ansiosos, dizendo: 
 Que comeremos? Ou que beberemos? Ou com que nos vestiremos?
32. Porque todas estas coisas os gentios buscam; pois vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas.
33. Mas buscai primeiramente o Reino de Deus e sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
34. Não andeis pois ansiosos pelo dia de amanhã; porque o amanhã cuidará de si mesmo. Basta a [cada] dia seu mal.




6.7 repetições inúteis. NVI: "E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos". Os pagãos faziam naquela época a mesma coisa que os católicos fazem hoje, com rezas pré-programadas e repetidas exaustivamente, na expectativa de que depois de tanta repetição Deus (ou o "santo") decida intervir, como se a repetição acrescentasse algo espiritualmente e atraísse a atenção de Deus. Ao contrário, a oração do verdadeiro cristão deve ser espontânea. Deus é nosso Pai, que quer de nós um relacionamento pessoal e íntimo com Ele, e não uma máquina para se ganhar na insistência.

6.9-13 V. nota em Lc.11:2-4.

6.16 eles já têm sua recompensa. Toda a recompensa dos hipócritas é a recompensa terrena de ser reconhecido pelos outros, naquilo que ele faz buscando autoglorificação. Eles não terão nenhuma recompensa futura, como terão aqueles que buscarem a Deus em secreto diante do Pai.

6.19 não junteis para vós tesouros na terra. É exatamente o contrário da teologia da prosperidade, onde pastores acumulam riquezas terrenas e incentivam os fieis a fazerem o mesmo por meio da fé. Enquanto eles pregam que Deus ajunta riquezas para aqueles que forem fieis no dízimo e nas ofertas, Jesus ensina o contrário, condenando o ajuntar riquezas nesta vida. A nossa verdadeira riqueza está na eternidade, quando desfrutaremos de uma vida eterna com Deus em um Paraíso celestial na nova terra prometida. Nesta vida, somos “os mais dignos de lástima entre todos os homens” (1Co.15:19).

6.32 porque todas estas coisas os gentios buscam. O cristão que se preocupa em primeiro lugar com as coisas desta vida não se diferencia em nada de um pagão ou descrente.

6.33 todas estas coisas vos serão acrescentadas. Jesus não disse que Deus acrescentaria todas as coisas, mas todas estas coisas, as que foram referidas no contexto, com respeito às necessidades básicas de todo ser humano, como roupa (v.28), comida (v.31) ou bebida (v.31). Ele não está falando da casa própria, do carro novo ou da “vitória”, como alguns pregadores triunfalistas ensinam, tirando o texto do seu contexto.