15 de julho de 2014

Comentários de Mateus 15

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. Então se chegaram a Jesus [alguns] escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo:
2. Por que teus discípulos violam a tradição dos anciãos? Pois não lavam suas as mãos, quando comem pão.
3. Porém ele respondendo, disse-lhes: 
Porque vós violais também o mandamento de Deus por vossa tradição?
4. Porque Deus mandou, dizendo: 
Honra a teu pai, e a [tua] mãe; e, quem disser mal ao pai, ou à mãe, morra de morte.
5. Mas vós dizeis: 
Qualquer um que disser ao pai ou à mãe: 
Oferta [é] tudo o que podes ter proveito de mim; 
E [assim] ele não [precisa mais] honrar a seu pai ou a sua mãe.
6. E [portanto] invalidastes o mandamento de Deus por vossa tradição.
7. Hipócritas, Isaías bem profetizou sobre vós, dizendo:
8. Este povo com sua boca se achega a mim, e com os lábios me honra; mas seu coração está longe de mim.
9. Mas me honram em vão, ensinando como doutrina mandamentos humanos.
10. E chamando a multidão para si, disse-lhes: 
Ouvi e entendei.
11. Não [é] o que entra na boca que contamina o ser humano; mas sim o que sai da boca, isso contamina o ser humano.
12. Então chegando-se seus discípulos a ele, disseram-lhe: 
Sabes que os fariseus, quando ouviram esta palavra, se escandalizaram?
13. Mas ele, respondendo, disse: 
Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada pela raiz.
14. Deixai-os, são guias cegos de cegos; e se o cego guiar ao cego, ambos cairão na cova.
15. E Pedro respondendo, disse-lhe: 
Explica-nos esta parábola.
16. Porém Jesus disse: 
Até vós ainda estais sem entendimento?
17. Não entendeis ainda, que tudo o que entra na boca, vai ao ventre, e é lançado na privada?
18. Mas o que sai da boca procede do coração; e isto contamina o ser humano;
19. Porque do coração procedem maus pensamentos, mortes, adultérios, pecados sexuais, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.
20. Estas coisas são as que contaminam o ser humano; mas comer sem lavar as mãos não contamina o ser humano.
21. E Jesus, tendo partido dali, foi para as regiões de Tiro e de Sídon.
22. E eis que uma mulher Cananeia, que tinha saído daqueles limites, clamou-lhe, dizendo: 
Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim; minha filha está miseravelmente endemoninhada.
23. Mas ele não lhe respondeu palavra. E chegando-se seus discípulos a ele, rogaram-lhe, dizendo: Manda-a embora, porque ela grita atrás de nós.
24. E ele, respondendo, disse:
Eu fui enviado somente para as ovelhas perdidas da casa de Israel.
25. Então veio ela, e o adorou, dizendo: 
Senhor, ajuda-me.
26. Mas ele, respondendo, disse: 
Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.
27. E ela disse: 
Sim, Senhor; porém também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus senhores.
28. Então Jesus respondeu, e disse-lhe: 
Ó mulher! grande [é] tua fé; seja feito a ti como queres. 
E sua filha sarou desde aquela mesma hora.
29. E Jesus, tendo partido dali, veio ao mar da Galileia; e subindo a um monte, sentou-se ali.
30. E vieram a ele muitas multidões, que tinham consigo mancos, cegos, mudos, aleijados, e outros muitos; e os lançaram aos pés de Jesus, e ele os curou,
31. De tal maneira, que as multidões se maravilhavam, vendo os mudos falarem, os aleijados ficarem íntegros, os mancos andarem, e os cegos verem; e glorificaram ao Deus de Israel.
32. E Jesus, chamando a si seus discípulos, disse: 
Estou comovido com a multidão, porque já [há] três dias [que] estão comigo, e não têm o que comer; e não quero deixá-los ir em jejum, para que não desmaiem no caminho.
33. E seus discípulos lhe disseram: 
Donde [conseguiremos] tantos pães no deserto, para fartar tão grande multidão?
34. E Jesus lhes disse: 
Quantos pães tendes? 
E eles disseram:
Sete, e uns poucos peixinhos.
35. E mandou as multidões se sentarem pelo chão.
36. E tomando os sete pães e os peixes, e dando graças, partiu-os, e deu-os a seus discípulos, e os discípulos à multidão.
37. E todos comeram, e se fartaram; e levantaram do que sobrou dos pedaços, sete cestos cheios.
38. E os que tinham comido eram quatro mil homens, sem contar as mulheres e as crianças.
39. E ele, tendo despedido as multidões, entrou em um barco, e veio aos limites de Magdala.




15.2 violam a tradição dos anciãos. Os fariseus haviam acrescentado uma série de tradições que diziam ter sido preservadas oralmente desde Moisés até aqueles dias, incluindo a prática obrigatória de lavar as mãos ao comer pão. Jesus, contudo, não seguia nenhuma tradição extra-bíblica, mas somente a Escritura. Ele nunca reconheceu nem legitimou qualquer tradição oral judaica, que nada mais era senão um acréscimo ilegítimo às Escrituras, que era naquele momento a única regra de fé dos judeus, ainda com apenas o AT, que mais tarde viria a ter também a companhia do NT. Algo muito semelhante ocorreu séculos mais tarde, quando os reformadores protestantes se depararam com uma série de dogmas e doutrinas do catolicismo romano que se baseavam puramente na tradição papista, que diziam ter sido preservada oralmente desde os apóstolos, mas sem nenhuma base ou fundamento bíblico. Assim como Jesus fez com a tradição extra-bíblica dos judeus, eles repreenderam a tradição não-bíblica dos romanos e reergueram o princípio cristão e ortodoxo da Sola Scriptura – a Bíblia como a única regra de fé do cristão.

15.9 me honram em vão. A tradição oral extra-bíblica não havia apenas invalidado o mandamento de Deus presente na Sagrada Escritura (v.6), mas também colocado o coração daquelas pessoas distante de Deus e tornado inútil a adoração delas (vs.8-9).

15.24 eu fui enviado somente para as ovelhas perdidas da casa de Israel. O ministério terreno de Jesus era voltado primeiramente aos judeus, e somente depois da rejeição dos judeus é que a Palavra seria espalhada por toda a terra, como testemunho a todas as nações (Jo.1:11; Mc.16:15; At.1:8).

15.25 o adorou. V. nota em Mt.2:11.

15.27 não é bom tirar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Os “filhos” eram os judeus, e naquele momento os “cachorrinhos” eram os gentios, porque o propósito inicial de Jesus era para com os judeus. Mesmo assim, isso não impedia que os gentios que tivessem fé recebessem alguma coisa – as “migalhas” – antes da barreira entre judeus e gentios ser destruída com a morte de Cristo e os dois serem feitos “um só povo” (Jo.11:52; Ef.2:14-18), onde os gentios que creem em Jesus desfrutam da condição de “filhos” assim como os judeus que nele creem.

15.32 estou comovido com a multidão. Este versículo confronta a tese da expiação limitada (calvinismo), segunda a qual Jesus não morreu por todos, mas apenas por alguns, e estes por quem ele não morreu não possuem qualquer oportunidade de salvação. Para eles, Jesus tinha suficiente compaixão de todos daquela multidão para oferecer alimento físico a todos eles, mas não tinha suficiente compaixão de todos daquela multidão para oferecer salvação espiritual a todos eles. Jesus não queria ver aquela multidão passando fome, mas queria vê-los no inferno, para onde já tinha predestinado muitos deles. Sua compaixão por todos da multidão era limitado ao aspecto físico e alimentar, pois, quando chegava ao mais importante de tudo (a salvação eterna), ele decidia morrer só por alguns poucos, e ignorar muitos daquela tão grande multidão. Ele teria compaixão para com o menos importante, mas não teria compaixão para com o mais importante. Obviamente, esta tese confronta o sentido bíblico, que claramente aponta para a expiação universal e ilimitada (Jo.3:16; 1Tm.2:5-6; Hb.2:9; 2Pe.2:1; 1Co.7:23; 1Tm.4:10; 2Pe.3:9; 1Tm.2:4; 1Co.8:11; 2Co.5:14-15; 1Jo.2:2; Rm.5:18; Rm.11:32; Mt.18:14; Jo.5:34; Jo.11:42), assim como o amor, graça e misericórdia de Deus expressos em toda a Bíblia.

Comentários de Mateus 14

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. Naquele tempo Herodes, o Tetrarca, ouviu a fama de Jesus.
2. E disse a seus servos: 
Este é João Batista; ele ressuscitou dos mortos, e por isso operam nele estes milagres.
3. Porque Herodes tinha prendido a João, e o atado, e posto na prisão, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe.
4. Porque João lhe dizia: 
Não é lícito tê-la para ti.
5. E querendo matá-lo, tinha medo do povo, porque o consideravam como profeta.
6. Porém ao ser celebrando o dia do nascimento de Herodes, a filha de Herodias dançou no meio, e agradou a Herodes.
7. Pelo que com juramento lhe prometeu de dar tudo o que pedisse;
8. E ela, tendo sido instruída primeiro por sua mãe, disse: 
Dá-me aqui num prato a cabeça de João Batista.
9. E o rei se entristeceu; mas pelo juramento, e pelos que [com ele] estavam [à mesa], mandou que fosse dado [a ela].
10. E ele mandou degolarem a João na prisão.
11. E sua cabeça foi trazida em um prato, e dada à menina; e ela a levou a sua mãe.
12. E seus discípulos vieram, e tomaram o corpo, e o enterraram; e foram, e o anunciaram a Jesus.
13. E Jesus, tendo ouvido, retirou-se dali em um barco, a um lugar deserto à parte; e as multidões, ao ouvirem, seguiram-no a pé das cidades.
14. E quando Jesus saiu, viu uma grande multidão, e comoveu-se com eles; e curou aos enfermos dentre eles.
15. E chegando o entardecer, chegaram-se a ele seus discípulos, dizendo: 
O lugar é deserto, e o tempo é já passado; despede as multidões, para que se vão pelas aldeias, e comprem para si de comer.
16. Mas Jesus lhes disse: 
Não tem necessidade de irem; dai-lhes vós de comer.
17. Porém eles lhe disseram: 
Nada temos aqui além de cinco pães e dois peixes.
18. E ele disse: 
Trazei-os a mim aqui.
19. E mandando às multidões que se sentassem sobre a grama, e tomando os cinco pães e os dois peixes, e levantando os olhos ao céu, abençoou[-os]; e partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos às multidões;
20. E comeram todos, e fartaram-se. E levantaram do que sobrou dos pedaços, doze cestos cheios.
21. E os que comeram foram quase cinco mil homens, sem contar as mulheres e as crianças.
22. E logo Jesus fez entrar no barco a seus discípulos, e [mandou] que fossem adiante dele para a outra margem, enquanto que despedia as multidões.
23. E tendo despedido as multidões, subiu ao monte à parte para orar. E chegada já a noite, ele estava ali sozinho.
24. E o barco já estava no meio do mar atormentado pelas ondas, porque o vento era contrário.
25. Mas à quarta vigília da noite Jesus foi até eles, andando sobre o mar.
26. E os discípulos vendo-o andar sobre o mar, perturbaram-se, dizendo: 
É um fantasma!,
E deram gritos de medo.
27. Mas Jesus logo lhes falou, dizendo: 
Tende bom ânimo, sou eu, não tenhais medo.
28. E Pedro lhe respondeu, e disse: 
Senhor, se és tu, manda-me vir a ti sobre as águas.
29. E ele disse: 
Vem. 
E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas, para vir a Jesus.
30. Mas vendo o vento forte, temeu; e começando a afundar, clamou, dizendo: 
Senhor, salva-me.
31. E Jesus, estendendo logo a mão, pegou-lhe, e disse-lhe: 
[Homem] de pouca fé, por que duvidaste?
32. E quando subiram no barco, o vento se aquietou.
33. Então vieram os que estavam no barco, e o adoraram, dizendo: 
Verdadeiramente tu és Filho de Deus.
34. E passando para a outra margem, vieram à terra de Genesaré.
35. E quando as pessoas daquele lugar o reconheceram, enviaram por toda aquela terra ao redor, e trouxeram-lhe todos os que passavam mal.
36. E suplicavam-lhe, que somente tocassem a borda de sua roupa; e todos os que [a] tocavam, ficavam saudáveis.




14.18-21 Embora alguns “cristãos” comunistas distorçam este texto grosseiramente na tentativa de mostrar que Jesus era “socialista”, o fato é que Cristo não tirou o pão e o peixe de alguns e os deu a outros (o que seria roubo, como no sistema comunista), mas multiplicou sem precisar tirar nada de ninguém (como no liberalismo econômico, onde o livre comércio sem intervenção estatal promove um equilíbrio perfeito, gerando desenvolvimento e benefícios para toda a sociedade, sem precisar tirar de uns para dar a outros).

14.25 quarta vigília da noite. A quarta vigília da noite era o período entre as 3 e as 6 horas da manhã. Jesus saiu para orar ao anoitecer (durante a primeira vigília, que era o período entre as 18 e as 21 horas), e só deixou de orar na quarta vigília, o que mostra que ele orou durante um período de aproximadamente 9 horas ininterruptas, sozinho no monte.

14.26 é um fantasma. Isso obviamente não significa que os discípulos tinham uma crença intelectual na existência de fantasmas, mas no momento de desespero e de pânico eles acreditavam em qualquer coisa.

14.31 homem de pouca fé. Pedro andou sobre as águas enquanto tinha fé, mas a perdeu quando deixou que o medo tomasse conta de si. O milagre e o sobrenatural de Deus só ocorrem em um ambiente de fé, e não de incredulidade.

14.33 e o adoraram. V. nota em Mt.2.11. 

Comentários de Mateus 13

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Este capítulo faz parte da obra: “O Novo Testamento Comentado”, de autoria de Lucas Banzoli e de livre divulgação.
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1. E Jesus, tendo saído da casa aquele dia, sentou-se junto ao mar;

2. E chegaram-se a ele tantas multidões, que ele entrou num barco, [e ali] se sentou; e toda a multidão ficou na praia,
3. E ele lhes falou muitas coisas por parábolas, dizendo: 
Eis que o semeador saiu para semear.
4. E enquanto ele semeava, caiu uma parte [da semente] junto ao caminho, e vieram as aves e a comeram.
5. E outra [parte] caiu entre pedras, onde não tinha muita terra, e logo nasceu, porque não tinha terra funda.
6. Mas saindo o sol, queimou-se; e por não ter raiz, secou-se.
7. E outra [parte] caiu em espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.
8. E outra [parte] caiu em boa terra, e deu fruto, um cem, outro sessenta, e outro trinta.
9. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
10. E chegando-se a ele os discípulos, disseram-lhe: 
Por que lhes falas por parábolas?
11. E ele, respondendo, disse-lhes: 
Porque a vós é dado saber os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado.
12. Porque a quem tem, lhe será dado, e terá em abundância; mas a quem não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.
13. Por isso lhes falo por parábolas; porque vendo, não veem; e ouvindo, não ouvem, nem entendem.
14. E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: 
De ouvido ouvireis e não entendereis, e vendo, vereis e não enxergareis.
15. Porque o coração deste povo está insensível, seus ouvidos estão obstruídos; e seus olhos fecharam; para que seus olhos não vejam, nem seus ouvidos ouçam, nem seus corações entendam, nem se arrependam, e eu não os cure.
16. Mas bem-aventurados [são] vossos olhos, porque veem; e vossos ouvidos, porque ouvem.
17. Porque em verdade vos digo, que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não viram; e ouvir o que vós ouvis, e não ouviram.
18. Ouvi pois vós a parábola do semeador:
19. Quando alguém ouve a palavra do Reino e não a entende, o maligno vem e arranca o que foi semeado em seu coração; este é o que foi semeado junto ao caminho.
20. E o que foi semeado entre pedras, este é o que ouve a palavra e logo a recebe com alegria.
21. Porém não tem raiz em si mesmo, e dura pouco; e quando vem a aflição ou a perseguição pela palavra, logo se ofende.
22. E o que foi semeado em espinhos, este é o que ouve a palavra, mas a ansiedade deste mundo, e o engano das riquezas sufocam a palavra, e fica sem fruto.
23. Mas o que foi semeado em boa terra, este é o que ouve e entende a palavra, e o que dá e produz fruto, um cem, e outro sessenta, e outro trinta.
24. E ele lhes declarou outra parábola, dizendo: 
O Reino dos céus é semelhante a um homem que semeia boa semente em seu campo,
25. E enquanto os homens estavam dormindo, o inimigo dele veio, semeou joio, e foi embora.
26. E quando a erva cresceu, e produziu fruto, então apareceu também o joio.
27. E chegando-se os servos do Dono da propriedade, disseram-lhe: 
Senhor, não semeaste boa semente em teu campo? De onde então veio o joio?
28. E ele lhes disse: 
O homem inimigo fez isto. 
E os servos lhe disseram: 
Queres pois que vamos e o colhemos?
29. Porém ele lhes disse: 
Não, para que, quando colherdes o joio, não venhais a arrancar também o trigo com ele.
30. Deixai-os crescer ambos juntos até a ceifa; e ao tempo da ceifa direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos, para o queimar; mas ao trigo juntai no meu celeiro.
31. Ele lhes declarou outra parábola: 
O Reino dos céus é semelhante ao grão da mostarda, que o homem, tomando-o, semeou-o em seu campo.
32. O qual, em verdade, é a menor de todas as sementes; mas quando cresce, é a maior das hortaliças; e faz-se [tamanha] árvore, que as aves do céu vêm e se aninham em seus ramos.
33. Ele lhes disse outra parábola: 
O Reino dos céus é semelhante ao fermento, que a mulher, tomando-o, esconde-o em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado.
34. Tudo isto Jesus falou por parábolas às multidões, e sem parábolas não lhes falava.
35. Para que se cumprisse o que foi declarado pelo profeta, que disse: 
Em parábolas abrirei minha boca; pronunciarei coisas escondidas desde a fundação do mundo.
36. Então Jesus, tendo despedido as multidões, foi-se para casa. E chegaram-se seus discípulos a ele, dizendo: 
Explica-nos a parábola do joio do campo.
37. E ele, respondendo, disse-lhes: 
O que semeia a boa semente é o Filho do homem.
38. E o campo é o mundo; e a boa semente, estes são os filhos do Reino; e o joio são os filhos do maligno;
39. E o inimigo, que a semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim dos tempos; e os ceifeiros são os anjos.
40. De maneira que, assim como o joio é colhido e queimado a fogo; assim também será no fim deste mundo.
41. O Filho do homem mandará a seus anjos, e ele colherão todas as ofensas de seu Reino, e aos que fazem injustiça;
42. E os lançarão ao forno de fogo; ali haverá o pranto e o ranger de dentes.
43. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
44. Também semelhante é o Reino dos céus ao tesouro escondido num campo, que o homem, tendo o achado, escondeu-o; e por sua alegria, vai, e vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.
45. Também semelhante é o Reino dos céus ao homem negociante, que busca boas pérolas.
46. Que tendo achado uma pérola de grande valor, foi, e vendeu tudo quanto tinha, e a comprou.
47. Também semelhante é o Reino dos céus à rede lançada no mar, e que colhe todo tipo [de peixes],
48. Que estando cheia, [os pescadores] a puxam à praia; e sentando-se, colhem o bom em [seus] vasos, porém o ruim lançam fora.
49. Assim será quando os tempos completarem seu fim; os anjos sairão, e separarão os maus dentre os justos;
50. E os lançarão no forno de fogo; ali haverá o choro e o ranger de dentes.
51. E Jesus lhes disse: 
Entendestes todas estas coisas? 
Disseram-lhe eles: 
Sim Senhor.
52. E ele lhes disse: 
Portanto todo escriba instruído no Reino dos céus é semelhante a um chefe de casa, que de seu tesouro tira coisas novas e velhas.
53. E aconteceu que, acabando Jesus estas parábolas, retirou-se dali.
54. E vindo à sua terra, ensinava-os na sinagoga deles, de tal maneira que se admiravam, e diziam: 
De onde [lhe vem] esta sabedoria, e estes milagres?
55. Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria? E seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?
56. E não estão todas suas irmãs conosco? donde [lhe vem] logo a este tudo isto?
57. E se ofendiam nele. Mas Jesus lhes disse: 
Não há profeta sem honra, a não ser em sua terra, e em sua casa.
58. E não fez ali muitas maravilhas por causa de sua incredulidade deles.




13.11 a eles não lhes é dado. A razão pela qual este conhecimento não foi revelado à multidão foi pelo próprio endurecimento do coração deles, causado pela rejeição interior ao evangelho (Mt.13:14-15; Jo.6:66; At.19:6-9; 28:25-27). Os discípulos, em contraste, aceitavam os ensinamentos mais duros de Jesus (Jo.6:67-69). O verso 12 expressa a tendência daquele que aceita o evangelho, que é crescer na fé, enquanto aqueles que rejeitam perdem cada vez mais oportunidades.

13.13 por isso lhes falo por parábolas; porque vendo, não veem; e ouvindo, não ouvem, nem entendem. As parábolas não apresentam as coisas de forma clara e literal, mas de maneira figurada e alegórica, onde geralmente cada elemento tem um significado espiritual por detrás daquilo que é ilustrado parabolicamente. Se as parábolas fossem em si mesmas literais e expressassem a verdade de modo claro e aberto, a multidão poderia ouvir e entender. Ela não ouvia e nem entendia porque a verdade está encoberta na parábola, e nãoexplícita nela.

13.25 semeou o joio. O joio era uma azevém, que se parece muito com o trigo em seus estágios iniciais de crescimento, de modo que não é possível saber o que é joio e o que é trigo. A semelhança entre ambos é tão grande que em algumas regiões o joio é chamado de “falso trigo”. Contudo, o joio pode ser venenoso e uma pequena quantidade colhida e processada junto ao trigo pode comprometer a qualidade de todo o produto obtido. Jesus fez este exemplo da época como uma analogia dos cristãos verdadeiros e dos falsos crentes. Tantos os verdadeiros filhos de Deus como os falsos congregam em nossas igrejas, sentam nas cadeiras, pregam nos púlpitos e aparentam ter uma vida consagrada a Deus, de modo que nada podemos suspeitar. Não é possível distinguir o joio do trigo pela aparência, nem o cristão verdadeiro do falso por aquilo que se vê externamente. Só Deus conhece o coração do homem.

A mensagem aqui transmitida é que Satanás infiltra falsos crentes, falsos mestres e falsos profetas com a única finalidade de ensinar doutrinas destruidoras e heresias de perdição (2Pe.2:1), para levar consigo o máximo de desviados e apóstatas, que seguem os ensinos de tais homens ou que se afastam da igreja por causa dos maus exemplos de “cristãos” ali dentro que não vivem uma vida cristã sincera com Deus e com o próximo. De fato, muitos crentes deixam de congregar nas igrejas por causa de maus exemplos, ou passam a seguir hereges heterodoxos e liberais. Eles perdem o ânimo na fé, deixam de orar, de louvar, de meditar na Palavra, de viver em santidade, de lutar contra o pecado. Com isso, o diabo atinge seu objetivo de semear o joio para confundir o trigo, contaminando boa parte do próprio trigo.

13.29 não, para que, quando colherdes o joio, não venhais a arrancar também o trigo com ele. A solução não é deixar a Igreja por causa do joio ali infiltrado. É buscar a Deus e ser um bom exemplo para o próximo ali dentro, sendo “um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé e na pureza” (1Tm.4:12). Ao invés de nos deixar vencer pelos maus exemplos, temos que ser os bons exemplos. Não devemos nos deixar vencer pelo mal, mas devemos vencer o mal com o bem (Rm.12:21).

13.30 deixai-os crescer ambos juntos até a ceifa. O trigo vivo e o joio vivo, assim como o trigo morto e o joio morto, estão em um mesmo lugar (terra para os viventes e Hades para os mortos) até a ceifa, que só ocorre no “fim dos tempos” (v.39), depois da ressurreição dos mortos. Não há qualquer separação entre o trigo e o joio antes disso, como ocorre na teologia imortalista que ensina que logo após a morte o trigo se separa do joio com destinos diferentes (Céu e inferno). O joio só será “queimado” (v.30) no fim dos tempos, não em um momento presente. Assim também, o trigo só será “recolhido no celeiro” (v.30) depois da ressurreição, e não antes.

13.32 menor de todas as sementes. O grão da mostarda não é o menor grão de semente que existe, mas era o menor que aqueles fazendeiros palestinos semeavam em seus campos. Isso é evidente pelo contexto, que diz que “o homem semeou em seu campo” (v.31), e de fato o grão de mostarda era a menor de todas as sementes que o fazendeiro judeu do primeiro século semeava em seu campo. A lição espiritual por trás disso é do crescimento do Reino, assim como há o crescimento do pé de mostarda, que pode crescer a ponto de se tornarem árvores com três metros de altura. De fato, o Reino na época de Cristo foi instaurado com apenas 12 discípulos – entre eles um traidor – e hoje já conta com milhões no mundo todo. Embora em nenhum momento seja dito que o Reino será maioria no mundo (v. Lc.18:8; Mt.7:14), o crescimento já é maior do que qualquer palestino daquele tempo poderia imaginar.

13.42 ali haverá pranto e ranger de dentes. No geena, que é onde os ímpios serão lançados após a ressurreição dos mortos e o juízo, para pagarem pelo tanto correspondente aos seus pecados antes de serem definitivamente destruídos (v. nota em Lc.12:47-48).

13.43 então. O texto mostra uma ordem cronológica. Os justos só “brilharão como o sol no Reino do Pai” (v.43)depois que os ímpios forem lançados ao “forno de fogo” (v.42), e Jesus disse que o joio só seria queimado no “fim dos tempos” (v. nota em Mt.13:30), em um momento futuro. Isso contradiz a teologia imortalista, segundo a qual o trigo que morreu já está no celeiro e o joio já está queimando, em um momento presente e simultaneamente.

13.44 por sua alegria, vai, e vende tudo quanto tem. O cristão se desfaz de todas as suas prioridades materiais para buscar o Reino de Deus acima de todas as demais coisas. O Reino, que nesta parábola é comparado a um tesouro, na parábola seguinte (v.46) é comparado a uma pérola, com o mesmo sentido. Para o verdadeiro cristão, nada mais importa além de viver por Cristo e por Seu Reino.

13.47-50 Esta parábola e seu significado é extremamente semelhante a do joio e do trigo (Mt.13:37-42), que Jesus havia contado anteriormente.

13.54 à sua terra. Nazaré (Mt.21:11).

13.55 irmãos. V. nota em Mc.6:3.